segunda-feira, 27 de maio de 2013

Uma vénia


Tão bom sentir este barulho do esticar de ossos, esta sensação do músculo a romper, este "stretch" do sorriso a rasgar. 

Aplaudo esta tomada de consciência, este encontro de significado. Congratulo a nossa destreza na nossa condição de vida.

Ninguém quer ser perfeito (que aborrecimento!)

Ser o que é, basta-lhe.
É-lhe suficiente, pois é essa elevação imperfeita que o torna competente no acto da vida. É humano.
[e sabe-o imperfeito] 
Reconhece-se em si: nele, no homem, e nele mesmo. 
Ser isolado, preso na sua circunstância, faz com que não exista. Faz com que não seja pois não o é para mais ninguém se não o é, antes demais, para ele próprio. 

Uma vénia nos faço.
Aos que renascem. 
Aos que envelhecem e se libertam na maturidade. E não têm medo de Ser: assim, imperfeitos na perfeição.

Tal e qual como são.

Vivem! E sentem até à exaustão... Pois só assim vêem tudo o que olham, sem distinção.
E é por isso que querem! Anseiam! Porque sabem que quando os olhos se fecham, tão somente vêem com o coração.

Uma vénia nos faço.
Aos que, como eu, não têm medo de crescer. Que sorriem por cima do ombro e abafam o grito triste na lágrima que não caíu. 

Porque sorriu.

Aos que não têm nada a provar. Aos que sabem sorrir. Que sabem chorar...
Que sabem que somos uns entre os outros. E que todos somos únicos, quando juntos!
Sem cópias contrafeitas, nem imitações baratas. One of a kind, entre muitos.
Aos que sabem que assim, só por serem assim, aceitam a felicidade que lhes apraz. A felicidade que lhes serve e que lhes satisfaz.

Uma vénia nos faço.
E nos agradeço.
Do fundo do meu, do nosso coração.
Agradeço aos que somos mais felizes
Aos que somos, diria antes, afortunados.
Pois amamos sem reservas,
Sem receio das cicatrizes,
Tudo o que nos faz sentir amados!